terça-feira, 4 de março de 2008

Matéria de Econômia - A Fronteira da Possibilidade de Produção - O Princípio do Custo de Oportunidade.

A Fronteira da Possibilidade de Produção
O Princípio do Custo de Oportunidade

Prof. Eduardo Mekitarian

O primeiro passo na decisão de que bens e serviços produzir é determinar que combinações de bens e serviços sejam possíveis, dados os recursos produtivos de um país ou de uma empresa, seu conhecimento tecnológico e sua organização econômica. As empresas e a sociedade como um todo se defronta com restrições. Para examinar os trade-offs que se defronta uma economia simplificada que produz dois bens utiliza-se o modelo conhecido como fronteira de possibilidade de produção.

Vamos supor uma empresa que tenha:
10 máquinas / 40 trabalhadores / produz dois bens: parafuso tipo A e tipo B
Vamos supor, também, que por um determinado período de tempo, a empresa não pode mais comprar máquinas nem contratar trabalhadores adicionais e sem nenhuma inovação tecnológica no processo de produção dos produtos.

Assim, os pressupostos da empresa são:
a) Os recursos produtivos são fixos ou constantes;
b) O conhecimento tecnológico é constante;
c) Somente dois produtos são passíveis de produção.

Problema: Diretor encomenda ao departamento de produção levantamento de quais são as possibilidades de produção da empresa utilizando plenamente e da forma mais eficiente possível, todos os fatores de produção da empresa.
O setor de produção efetua o seguinte levantamento:

Parafuso A/un - 20/ 18/ 15/ 11/ 6/ 0
Parafuso B/un - 0 / 1 / 2 / 3 / 4 / 5

Se todos os recursos produtivos da fábrica forem utilizados somente para a produção do parafuso tipo A, teríamos 20un. Caso se desejasse produzir 1un do parafuso B, teríamos que deslocar os recursos produtivos alocados
em A, para B, e haveria uma perda de 2un de A. Aumentos sucessivos de B levariam a reduções sucessivas da produção de A até atingir-se um ponto limite: caso todos os fatores estejam empregados em B, teríamos 5un de B e zero de A.

CURVA DE POSSIBILIDADE DE PRODUÇÃO
grafico dado em sala de aula.

Análise do gráfico da CPP da empresa

1) A produção do parafuso B é mais difícil que a de A;
Produção máxima de B = 5un
Produção máxima de A = 20un
2) Os pontos sobre a CPP expressam a quantidade máxima possível da produção de um dos bens, dada a produção de outro. Se a empresa deseja produzir 11un de A, poderá fabricar no máximo 3un de B. Os pontos sobre a curva são eficientes uma vez que é impossível aumentar a produção dos dois bens. Para cada ponto na curva os recursos da empresa são plenamente empregados e utilizados eficientemente.

3) Um ponto dentro da curva significa uma produção abaixo ou aquém das possibilidades da empresa (ineficiente). Se resolver produzir 6un de A e 3 de B, alguns recursos produtivos ficarão ociosos ou não serão utilizados de forma mais eficiente. A empresa poderia aumentar a produção de A para 11un sem ter que diminuir a produção de B.
4) Um ponto fora da curva significa uma produção além ou acima de suas possibilidades. Não é possível produzir 11un de A e 4 de B, já que o máximo que se pode obter de B quando se fabrica 11un de A é de 3u.
Produzir fora da curva só será possível com:
· Aumento na quantidade dos fatores de produção;
· Inovação tecnológica

5) Aumento na produção de um bem (se a empresa estiver trabalhando em pontos situados na CPP) só poderá ser efetuado à custa do decréscimo na produção do outro bem.
A quantidade perdida de A para aumentar a produção de B é denominada de custo de oportunidade (C. O). A quantidade de A sacrificada para se obter uma unidade adicional de B é crescente o que faz com que a CPP tenha sua concavidade (curvatura) voltada para baixo ou para a origem.

A razão do C.O ser crescente é de que à medida que se deslocam fatores de produção que são adequados à produção de A para a produção de B, esses fatores são cada vez menos eficientes. Os trabalhadores especializados em A ao serem transferidos para B serão bem menos produtivos. A produção adicional de B que se obtém diminuindo a de A é decrescente ou cada vez menor, o que corresponde à lei da produtividade marginal decrescente ou lei dos rendimentos decrescentes.

Se a perda de A para se obter uma unidade adicional de B fosse sempre igual (constante), a CPP seria representada por uma linha reta.

Exercício: A – 20 / 16 / 12 / 8 / 4 / 0
B - 0 / 1 / 2 / 3 / 4 / 5

A forma e a posição da CPP dependem da oferta de fatores e da eficiência com que são utilizadas, ou seja, dependem da dotação de RN, MO e K, bem como de sua tecnologia.

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